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Após retorno, estudantes do IFNMG relatam suas experiências vividas em Portugal

Publicado: Quinta, 22 de Fevereiro de 2018, 17h09 | Última atualização em Segunda, 26 de Março de 2018, 15h04

Cinco meses. Foi esse o tempo que Fernanda Alves Costa, José Mendes dos Santos Júnior e Wêudson Alves Mendes, estudantes do IFNMG, tiveram para aproveitar o intercâmbio realizado em Portugal no Instituto Politécnico de Bragança (IPB). E eles aproveitaram mesmo. Além de desenvolverem seus estágios, conheceram outras instituições, cidades e até outros países. Tiveram a oportunidade de conviver com culturas diferentes e de aguentar as baixas temperaturas do inverno europeu. No Brasil, desde 17 de fevereiro, eles fazem questão de contar como foi morar em Portugal.

O acadêmico do curso de Agronomia no Campus Januária, José Mendes, garantiu que fazer o intercâmbio foi uma das melhores experiências que viveu. “Além de ter a oportunidade de compreender um pouco acerca das diferenças culturais existentes entre o país em que estive e o Brasil, pude vivenciar muitas situações singulares em várias ocasiões, como, por exemplo, no estágio, nas aulas, nas relações interpessoais - integrando-se pessoas de várias nacionalidades -, que, sem dúvida, poderão contribuir não só para a minha formação profissional, mas, sobretudo, para o meu crescimento pessoal”, destaca.

Para Fernanda Alves (foto abaixo), que faz Engenharia Agronômica no Campus Almenara, a experiência também foi única. “Pude dar à minha família, amigos e a mim mesma o prazer de ver a filha de um vaqueiro e uma diarista alcançando esse grande mérito”, ressalta.

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Fernanda Alves faz Engenharia Agronômica no Campus Almenara

O estágio

Fernanda desenvolveu seu estágio no Centro de Investigação de Montanha (CIMO) do IPB, na área de fitopatologia. Ela realizou trabalhos com o fungo Neofabraea vagabunda isolado endofiticamente de azeitonas e agente causal da lepra, doença relativamente nova e pouco estudada na Europa. “Realizei bioensaios, com diferentes temperaruras e umidades, para verificar a severidade e incidência da doença, assim como a preparação de meios de culturas com diferentes fontes de carbono e extrato de azeitonas para verificar em qual meio o fungo tem um melhor desenvolvimento”, informa a estudante. Ainda foi realizado um procedimento para a idenficacão molecular do fungo e avaliação do teor dos sólidos solúveis totais nos diferentes índices de maturação das azeitonas.

José Mendes também trabalhou no estágio com umas das principais culturas de Portugal, que é a oliveira. Estudou, especificamente, a Tuberculose-da-oliveira, doença que atinge várias zonas olivícolas de Portugal e é causada pela bactéria denominada Pseudomonas savastanoi pv. savastanoi. “Para encontrar uma alternativa para o controle dessa doença, durante o estágio, selecionamos bactérias endofíticas e epifíticas, previamente isoladas da oliveira, para que pudéssemos utilizá-las como agente de controle biológico”. Dedicar-se a essa pesquisa fez com que o acadêmico aprendesse técnicas de laboratório diferentes das que aprendeu no Instituto. “Algumas delas, eu só tinha observado em ilustrações e compreendido teoricamente. Entretanto, no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por meio do estágio, pude realizá-las na prática”, relata.

No estágio extracurricular do acadêmico que cursa licenciatura em Ciências Biológicas no Campus Salinas, Wêudson Alves (foto abaixo), foram realizados estudos sobre o efeito de óleos essenciais em bactérias patogênicas, provenientes de frango pronto para a comercialização. "Já no estágio voluntário, trabalhei auxiliando pedagogas e desenvolvendo atividades para crianças em uma instituição social que presta assistência a pessoas de baixa renda, idosos e crianças", informa Wêudson. 

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Wêudson conta que fez amizades, conheceu outros países e aprendeu muito. Garante que tudo vai colaborar para a sua carreira profissional

Pela Europa

Engana-se quem pensa que os intercambistas só ficaram estudando e cumprindo com suas obrigações no IPB. Eles também tiveram outras formas de aprendizado. Fernanda, por exemplo, conheceu as cidades de Porto, Póvoa de lanhoso e a aldeia Serzedelo. Viveu na pele as diferenças entre Brasil e Portugal no que se refere à gastronomia, ao idioma e ao clima. “Consegui me adaptar facilmente com todas essas diferenças”, afirma a brasileira. O acadêmico de Agronomia e Wêudson Alves Mendes, que cursa licenciatura em Ciências Biológicas no Campus Salinas, resolveram ir mais longe e visitaram outros países.

José Mendes (foto abaixo) e Wêudson conheceram na Espanha Barcelona, Madrid, Toro e Zamora; na França, Paris e Tillé; na Itália, Roma, Livorno, Florença, Pisa, Veneza e Milão; na Inglaterra, Londres; e na Holanda, Amsterdã. Mas foi em Portugal, onde pôde conhecer com mais profundidade a cultura, a culinária e as especificidades do português. “O sotaque do português de Portugal parece ser de fácil compreensão, mas não é tão simples assim. Em vários momentos, solicitava às pessoas com quem eu dialogava para que repetissem o que tinham dito. O mais interessante é que elas possuem uma serenidade muito grande e compreendem o fato de não entendermos rapidamente”, observou José Mendes. 

Difícil mesmo para José foi aguentar o frio e não comer arroz e feijão. “A região de Bragança é muita fria. Em vários momentos, ao me direcionar para o IPB, deparei-me com surpreendentes temperaturas negativas. Quanto à alimentação, considero que a oferecida pelo IPB é muito completa (sopas, prato principal, pão e saladas), entretanto, em muitos momentos, senti falta do feijão e do arroz”, pontua.

Já Wêudson garante que foi bastante tranquilo o período de adaptação: "Demorei cerca de uma semana para acostumar com a comida e as diferenças da linguagem. Vejo que consegui de alguma maneira me adaptar bem ao frio, pois quando chegamos não estava frio, era o fim do verão, o frio veio aos poucos. Confesso que senti mais no contato com o calor do Brasil novamente, estou me readaptando", comenta. 

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José Mendes defende que o intercâmbio propicia ao estudante a possibilidade de ampliar a sua visão de mundo

Vale a pena? Ô se vale!

Fernanda Alves Costa, José Mendes dos Santos Júnior e Wêudson Alves Mendes não são mais os mesmos. O intercâmbio interferiu, positivamente, em suas visões de mundo, seus planos e suas expectativas em relação ao futuro.

“Acredito que estarei mais predisposto a aprender coisas novas, uma vez que o intercâmbio provoca positivamente, sobretudo por meio dos estágios, a vontade de se preparar a cada dia mais. Creio que a abertura aos novos conhecimentos, com certeza, estimula a formação de um bom profissional para o mercado de trabalho”, defende José Mendes. É por isso e por outras razões que Fernanda também defende o intercâmbio: “Fazer o intercâmbio é importante, sim, pois é uma oportunidade única de poder vivenciar a diversidade cultural e adquirir conhecimento técnico científico diferente daquele vivenciado no Brasil”.

Wêudson garante que modalidade internacional fará a diferença em sua entrada no mercado de trabalho. "Pois com esta grande oportunidade pude aprender novas maneiras de  trabalho, assim como permitir uma releitura dos meus modos já utilizados e ter novas experiências fora do meu cotidiano", evidencia. 

E para quem ainda tem dúvidas, José Mendes complementa: “ O intercâmbio propicia ao estudante a possibilidade de ampliar a sua visão de mundo, tendo em vista que se envolve com um novo país, com perspectivas e culturas diferenciadas. Além disso, faz com que identifiquemos os nossos preconceitos, para que possamos extingui-lo e, assim, aprendermos a acatar, lidar e respeitar as diferenças. Outro aspecto importante a ser citado é que o fato de morar longe da família faz com que o indivíduo saia de sua zona de conforto e aprenda a enfrentar os mais variados desafios cotidianos com maturidade”.

Por mais intercambistas

O IFNMG continua abraçando o desafio de oportunizar aos estudantes e servidores um mundo de portas abertas.  A servidora responsável pela mobilidade acadêmica no Instituto, Roberta Silva Santos, enfatiza que a Assessoria de Relações Internacionais do IFNMG busca consolidar e firmar novas parcerias, a fim de continuar enviando e recebendo intercambistas.  "O IFNMG está transpondo as barreiras e dando oportunidades a quem nunca imaginava sequer sair da própria cidade. Com certeza, essas experiências serão contadas no momento da avaliação dos cursos pelo Ministério da Educação, uma vez que a internacionalização é um dos indicadores a ser analisado", explica Roberta.

No momento, os franceses Antoine Kuhn, 19 anos, e Marie Parmentier, 22 anos, estão instalados em Januária, desde o fim do ano passado. Na cidade, banhada pelo rio São Francisco, os franceses atuam como voluntários em um asilo de Januária e na comunidade do Peruaçu, além de desenvolverem pesquisas nos laboratórios do Campus.

A representante do Conselho Regional da França, Karine Motte, esteve recentemente no Brasil e conheceu, além das cidades de Montes Claros e Januária, o IFNMG-Campus Januária, onde os intercambistas franceses Antoine Kuhn e Marie Parmentier estão. O objetivo da visita foi fazer uma vistoria dos trabalhos em que os intercambistas estão envolvidos. Karine Motte se surpreendeu com as atividades que estão sendo desenvolvidas pela dupla de franceses, o que garante a continuidade da parceria que o IFNMG mantém com o Ministério da Agricultura da França.

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